Aceleração da educação corporativa impulsionada pela IA
O avanço da inteligência artificial impõe uma urgência inédita na atualização constante dos profissionais dentro das empresas. Habilidades técnicas que outrora tinham validade ao longo de anos, hoje se tornam obsoletas em ciclos cada vez mais curtos.
Diante desse cenário, o aprendizado contínuo ganha destaque como estratégia fundamental para manter as organizações competitivas, exigindo não apenas a aquisição de conhecimentos técnicos, mas também novas competências cognitivas para lidar com um ambiente em constante transformação.
O desafio do descompasso entre discurso e prática nas organizações
Em recente debate no CMO Agenda, a executiva do setor de marketing da Unico Skill ressalta que a velocidade da IA está acelerando o processo de necessidade por requalificação, indicando que habilidades aprendidas atualmente duram apenas poucos meses.
Apesar de 86% dos gestores afirmarem reconhecer o retorno imediato dos investimentos em educação, apenas um terço das empresas disponibilizam programas contínuos de capacitação. No âmbito individual, o comprometimento com o aprendizado é ainda menor: somente 16% dos gestores buscam novos conhecimentos mensalmente.
O excesso de informação e seus impactos
O volume avassalador de informações acessíveis por diversos canais gera um efeito paradoxal de aprendizado aparente, mas superficial, impactando a qualidade das decisões estratégicas. A falta de profundidade e de evidências sólidas compromete a capacidade de líderes em orientar suas equipes adequadamente.
Esse quadro se reflete na insegurança de boa parte dos líderes diante das novas tecnologias, com apenas 39% daqueles em cargos estratégicos confiantes em sua capacidade de liderar mudanças.
A importância das competências comportamentais para o futuro
Soft skills como inteligência emocional, pensamento crítico, flexibilidade, curiosidade e resiliência emergem como diferenciais essenciais para navegar em contextos voláteis e incertos. Essas habilidades são decisivas para profissionais e empresas que buscam não só sobreviver, mas prosperar em um ambiente de transformação rápida.
Além disso, a ausência dessas competências contribui para desafios observados no mercado de trabalho brasileiro, incluindo dificuldades de contratação mesmo diante de índices elevados de desemprego.
Educação corporativa personalizada por IA
A incorporação de tecnologias de inteligência artificial permite diagnósticos precisos dos gaps individuais, promovendo trilhas de aprendizado customizadas que atendem às necessidades específicas de cada colaborador. Isso marca uma transição importante do modelo tradicional para uma abordagem hyperpersonalizada, que valoriza a diversidade de trajetórias e objetivos.
Um exemplo é a iniciativa da rede PagMenos, que investiu em oferta educacional para seus funcionários, possibilitando a formação de farmacêuticos internos e apoiando sua estratégia de expansão.
Transformações no acesso e impacto da educação corporativa
A popularização da formação transcende antigos modelos, que privilegiavam apenas lideranças, para atingir todas as camadas das organizações. A democratização do aprendizado é crucial para manter a competitividade e fortalecer a identidade profissional na era digital.
Em suma, a educação corporativa do futuro exigirá um esforço contínuo para integrar técnicas e habilidades socioemocionais, guiando as empresas a recrutar e desenvolver talentos alinhados com a velocidade das transformações tecnológicas.
Fontes e Referências
- Unico Skill e Makers: Pesquisa sobre educação corporativa
- CMO Agenda, vídeo com Thaís Azevedo (2025)
- Dados recentes do mercado brasileiro de trabalho (2025)

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